terça-feira, 3 de novembro de 2009

Minha busca.

n˚ 37

Em Florbela, busco seu sorriso.
Em Cora, sua coragem.
Em Cecilia, seu abraço.
Em Marisa, sua voz.
Em Elis, suas palavras.
Mas é em mim, que te encontro.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Quando Ana me deixou.

n˚ 36

"Quando Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. (...) Entre aquele quando e aquele depois, não havia mais nada na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana (...)"
Caio Fernando Abreu

Quando Ana me deixou, chegou Carol.
Aninha foi embora, faz tempo.
Foi embora com o primário. Com as bonecas.
Com a cama pequenina, com as roupas embabadadas.
Com os sapatos, número 33. Com a cadeirinha,
no acento traseiro do carro.
Foi embora com o tempo.
O tempo que levou Ana, trouxe Carol.
Carol que olha para Ana e sente saudade.
Carol que olha para Ana e, vez por outra, a quer longe.
Carol que olha para Ana e entende.
Entende que se não fosse por Ana,
Carol não seria Carol.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Silêncio.

n˚ 35

O silêncio me faz companhia.
O silêncio que diz mais que mil palavras,
me faz companhia.
O silêncio da casa vazia.
O silêncio do telefone que não toca.
O silêncio do email que não chega,
das respostas não dadas.
O silêncio do cigarro queimando.
O silêncio da saudade, da falta.
Silêncio do mundo ao meu redor,
das pessoas caminhando, do por-do-sol.
O silêncio de um abraço apertado,
de um beijo demorado.
O silêncio de um olhar,
O silêncio das mãos que se procuram,
e não se encontram.
O silêncio da cama vazia.
O silêncio de mais um dia.
O silêncio da espera, da agonia.
O silêncio da solidão.
O silêncio...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Perdoa, amor, perdoa.

n˚ 34

Perdoa, amor, esse medo de tudo.
Perdoa essa insegurança.
Perdoa minha força, que falha.
Perdoa meu coração, que chora.
Perdoa minha angústia.
Perdoa meu amor infantil.
Perdoa essa tristeza.
Perdoa a dificuldade que eu vejo em minha frente.
Perdoa a falta de palavras.
Perdoa minha fragilidade escondida.
Perdoa meus defeitos.
Perdoa essa timidez que me domina.
Perdoa meus pesadelos.
Perdoa meus sonhos bobos.
Perdoa, amor, perdoa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Memórias, crônicas e declarações de amor.

n˚ 33

Quando dei por mim, o cd já tocava. Um dos seus cds preferidos.
Uma lembrança me veio a mente.
Uma fita k7. Você tinha uma fita cassete desse cd e ouvíamos no carro. Incansavelmente.
Discutíamos sobre as letras, sobre a melodia, sobre o conjunto todo.
Você sabia cantar todas as músicas. As vezes, no meio do silencio, sua voz inundava o ambiente, cantando alguma faixa perdida.
Me pegava pela cintura e me arrastava pela sala. Eu pisava em seu pé, você não ligava. Eu gritava para você parar, você não parava, ria e cantava ao mesmo tempo.
A noite, assobiava a melodia, enquanto algo assava no forno. O cheiro da comida inundava toda a cozinha e eu ia, escondida, até o armário e roubava uma trufa de menta. Sempre tinha trufa de menta, porque eu gosto.
Lembro quando meu tio te deu o cd. Falou pra você jogar a fita fora. É o cd que está tocando agora, que tocou muitas e muitas vezes no carro, enquanto fazíamos nossos passeios loucos, tocava na sua casa, enquanto você lia seu jornal de manhã, sentado no chão, com uma xícara de chá mate quente ao seu lado.
Muitas músicas me lembram você. Muitas mesmo!
Mas nenhum cd inteiro me lembra tanto você, nenhuma cantora me lembra tanto você.
Agora ele está tocando na minha casa, pai. Na minha sala, enquanto eu faço o jantar.
Enquanto eu tomo banho, me pego assobiando-o.
Nessas horas eu vejo o quanto sou parecida com você. E o quanto me orgulho disso.
Eu te tenho agora, em mim.
Nas nossas músicas, nas minhas lembranças, nos nossos filmes, nos nossos lugares preferidos.
Na minha saudade. Na falta que você faz.
Te tenho no amor que tenho por você. Que só cresceu com todo o tempo.
Eu choro, pai. Por querer-te ao meu lado e não conseguir isso. Por querer ouvir tua voz, teus conselhos, contar-te meus planos e minhas alegrias, chorar minhas tristezas, ao seu lado, sentados no sofá, enquanto o sol se despedia do dia.
Eu rio, pai. Lembrando tudo o que nos fazia rir, o que nós falávamos, enquanto ficávamos sentados na praça de alimentação do shopping, comendo mc donald's, porque eu queria comer, sobre as pessoas que passavam.
Você era meu companheiro, sempre, e dessa companhia que eu sinto falta.

Love,
Cah.



quinta-feira, 1 de outubro de 2009

4.

n˚ 32

Para você. Para a saudade que me consome. Para a falta. 
Porque ela era sua preferida. Porque ela é minha preferida. 

A Minha Dor

A minha Dor é um convento ideal
Cheio de claustros, sombras, arcarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm sons de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias...

A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

Florbela Espanca 

Com todo meu amor
e saudades eternas,
Cah. 


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Saudade.

n˚ 31

Vem do nada. Aperta o coração, enche os olhos de lágrimas. 
A dor aumenta, em proporções imensas, quando me dou conta que não basta eu pegar o telefone e ouvir a voz, não basta eu abrir meu email e digitar algumas palavras, será em vão. 
É saudade que não passa, mas consigo esquecer por algum tempo. 
Às vezes é aquela saudade boa, que te arranca sorrisos, mas, na maioria das vezes, é a saudade que dói. 
Chega a ser dor física. Sinto um aperto no peito, um vazio no corpo inteiro. 
Me da vontade de sair correndo, procurando em todas as partes. De vez em quando, me pego olhando para os lados, desejando ver. 
Correria ao encontro, sufocaria em um abraço, cobriria de beijos, assim como fazia comigo. 
Em alguns dias, vejo-me pensando em como seria se nada tivesse acontecido. Faço planos, chego a pegar o telefone para discar seu número e me dou conta.
A única coisa que tenho, hoje, são as lembranças.
E a maldita saudade, que nunca vai embora. E nunca termina. 
Saudade que existe em casa fibra do meu ser. Em cada tecido, cada célula.
Saudade que mora em mim e nunca vai deixar-me em paz. 

Love,
Cah. 

domingo, 13 de setembro de 2009

Ao Medo.

n˚ 30

Querido,
saiba que é com pesar que escrevo essas palavras. Você aceitando ou não, eu quero o divórcio.
Nós dois sabemos que uma relação de dezenove anos não se termina, assim, de uma hora para outra. Mas eu preciso, e preciso que você entenda.
Pode começar a arrumar suas malas. Eu estou decidida. Não vou voltar atrás. 
Não preciso mais de você cuidando de mim. Não quero mais você ao meu lado.
Cansei de toda vez que fico feliz, você virar um tapa na minha cara. Cansei de toda essa sua preocupação, esse zelo que você tem comigo. Eu quero me arriscar mais vezes. Por que você não deixa?
Já cansei de não fazer muitas coisas que quero, por sua causa. Não sei se você merece tudo isso...
Não sei se você merece todo o tempo que eu gastei, pensando e sentindo você.
Vá. Deixe-me sozinha, acredite, eu sei me virar.
A porta está aberta, feche-a quando sair. Jogue a cópia da chave fora. Você não é mais bem vindo.
Tudo bem, eu te conheço, e sei que você vai vir me visitar. Mas é só visita. Você não mora mais aqui.
Fui clara? Você entendeu cada palavra que eu disse?
Pois bem. Saia, da minha vida, da minha mente, dos meus pensamentos. Saia do meu coração.
E, eu suplico, não volte mais. Nem para dar um simples "oi".
Confesso que não vou te esquecer tão fácil. Você foi meu melhor amigo, por muito tempo. Mas vou fazer o possível para deixar-te de lado.
Esqueça-me. Esquecer-te-ei. 

Love,
Cah. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Noite.

n˚ 29

Jamie Cullum canta para mim. Sua voz entra em meus ouvidos, suas músicas fazem parte das minhas noites solitárias.

Não há viva alma ao meu lado. Por alguns instantes me sinto absurdamente só. Para mim, a única saída é dormir. Mas o sono está longe. 

Minha única companhia é a insônia. Os livros perderam, por algumas horas, toda sua magia. As histórias não preenchem meu coração. 

Os cigarros são consumidos velozmente. Um após o outro. 

Minhas ideias movem-se rápido. Deixam-me tonta. 

As frases já não fazem sentindo, as palavras saem sem que eu perceba. 

A luz do abajur me incomoda. Mas o medo do escuro fala mais alto. 

Quero encostar minha cabeça no travesseiro e acordar só amanhã. Com o sol entrando, sem pedir licença, pela janela que eu esqueci de fechar. 

Minha mente pede para descansar. Meus sentidos não deixam. 

Minha visão está embaçada, minha fala não passa de um sussurro, meu tato está praticamente insensível. Meus ouvidos ouvem apenas meus devaneios loucos, a música está atrapalhando, mas não quero que pare. 

Meu coração bate, lentamente, no ritmo do jazz suave. 

Os primeiros sinais do sono aparecem e não quero que me deixem. 

Vou me render aos sonhos. Vou me render e abandonar o mundo, por seis horas. 

Seis horas, em que visito outros mundos, outras pessoas, outras vidas.

Seis horas que deixo de ser-me completamente. Seis horas que, muitas vezes, desejo que durem muito mais. 

Vou-me, vou viver essa vida louca de sonhos impossíveis. 

Vou fugir, pois, logo mais, tenho que voltar. 


Love,

Cah. 

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Queria.

nº 28

Eu sei, todo mundo me diz isso,
mas queria voltar no tempo.
Queria, eu, te impedir.

Te tirar do abismo,
arrancar, com minhas mãos,
a dor do teu peito.

Te acolher em um abraço,
te afastar do leito.
Poder salvar-te dos teus medos.

Love,
Cah.