quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Terapia.

n˚ 52

"Você tem medo da rejeição. Tem medo de ficar sozinha. Mas a verdade é que estamos só. Sempre. Somos seres únicos, por isso somos sozinhos. Não estamos colados em alguém para estarmos sempre ao lado de outra pessoa. Você tem que aceitar, aceitar o medo que sente e enfrentá-lo. Enfrentar o medo é o único remédio."

Balancei minha cabeça afirmativamente.
Por dentro, meu coração batia rapidamente.
Tudo o que eu mais temo, jogado na minha frente.
A máscara foi tirada e eu não estava pronta,
não estava pronta para ver o rosto que estava por trás dela.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sentimentos.

n˚ 51

Minhas palavras me parecem pouco.
Meus gestos não mostram quase nada.
Queria poder te mostrar meu coração,
para você saber tudo o que eu sinto.
Mostrar que tudo o que há dentro de mim,
mal cabe em todo meu ser.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ajuda.

n˚ 50

E cansada de ter tanta força,
ela se aceitou frágil.
Aceitou que não dá para ir sozinha,
que o coração já não aguenta mais.
Pedir mais forças já não era suficiente.
Não havia de onde tirá-la.
Com os olhos cheios de lágrimas,
com a pouca coragem que possuía,
ela pediu ajuda.
Ajuda para seguir em frente.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fumar.

n˚ 49



"Desconfia dos que não fumam:
esses não tem vida interior, não tem sentimentos.
O cigarro é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar."
Mário Quitanda

Cegueira.

n˚ 48

Você pode se fingir cego,
tocar-me, sentir-me,
ler-me, com seus dedos, seu tato,
em braille.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Chuva.

n˚ 47

O céu anunciava sua chegada.
Não passou despercebida por ninguém.
Alguns sorriram, outros xingaram.
Eis que chega, ela, gelada e macia.
Trouxe de acompanhante, o vento frio.
Traiçoeiro vento, que mexia em meus cabelos.
Ela ficou brava. Bateu em meus braços,
minhas pernas, meus pés.
Tentei me proteger, mas ela estava furiosa demais.
Ousei dizer que eu não tinha culpa,
que o vento simplesmente mexeu em mim,
não tive tempo nem de fugir.
Aos poucos ela se acalmou.
De tempestade, virou garoa.
Agradeci sua chegada, disse-lhe que era bem vinda.
E aqui está, limpando tudo.
Molhando o mundo e (quase) todos.
Sussurrei baixinho, acho que nem ela ouviu,
"que bom que veio, querida".

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vida e arte.

n˚ 46

Você pode cantar sua vida,
seus dias de outrora,
seu futuro incerto,
seu presente, agora.

Você pode dançar o tempo,
dois pra lá, dois pra cá,
um tango a dois,
um ballet, lento.

Você pode desenhar o momento,
suas lembranças belas,
suas vontades de dentro,
seus atos, em uma tela.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Tarde demais.

n˚ 45

Se eu pudesse voltar no tempo,
para uma única data,
escolheria aquela sexta-feira.
Vinte e nove de maio.
Não desistiria de tentar completar aquela ligação.
Não pensaria "segunda eu ligo".
Não deixaria para segunda,
pois segunda seria tarde demais.

Impedimento.

n˚ 44

Queria saber quando toda essa idéia lhe invadiu a mente.
Queria saber para me adiantar.
E lhe impedir.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mudez.

n˚ 43

Quando a boca se abre, lentamente, nada sai.
O som não existe, a fala se vai por uns instantes.
O coração bate mais forte, os olhos pedem a voz.
As frases são feitas, na mente, e lá permanecem.
Ensaio, rapidamente, o que dizer, mas não adianta.
O que eu sinto, não passa da barreira do sentir.
Nada é traduzido, verbalmente.
Desejo, então, que meu olhar diga.
Diga tudo o que a boca não consegue dizer.