n˚ 62
Eu sei que foi um pesadelo, pois quando abri os olhos, estava deitada na minha cama.
No quarto escuro, com o despertador gritando, desejando-me bom dia. Respirei, aliviada. Aquela cena, tão real, não me saia da mente. E não saiu o dia inteiro.
Insistia em voltar, nos momentos em que eu olhava para o nada e suspirava. Fechava os olhos, como se isso fosse sair do meu campo de visão. Respirava fundo e pedia para que fosse embora.
Não foi, não. Voltou de vez em quando, o dia inteiro.
Me tirou a fome, a vontade de fazer tudo. Me obriguei a ocupar a mente, fingindo que nada tinha acontecido (e não aconteceu).
Enquanto o macarrão mergulhava em águas borbulhantes, pedi em um sussurro, tão baixo que nem eu ouvi, para aquela cena deixar minha vida.
Peço agora que, com mais uma noite de sono, venha um sonho. Um sonho para apagar de vez o pesadelo. Apagar o aperto no coração, o medo, a raiva.
Peço que venha um sonho, tão belo quanto uma história de amor, para acalmar esse turbilhão de sentimentos, que nem deveriam estar aqui.
Afinal, foi só um pesadelo.
Assustadoramente real.