Era como tentar ouvir um disco ruim, guardado há muito tempo.
As músicas iam se repetindo e ela continuava sem gostar do que ouvia.
Seu coração apertava mais a cada faixa que terminava.
Era como rever velhos inimigos, passando do outro lado da rua.
Sentia aquele aperto no peito, sentia os olhos querendo chorar.
Tinha vontade de fugir. Sair correndo para o nada.
Era como olhar uma caixa de recordações ruins.
Um depósito de coisas a serem esquecidas, mas que sempre insistem em voltar.
Era como reler um livro triste.
Olhar para o sofrimento dos personagens e não poder fazer nada.
Se sentir impotente de não poder ajudar.
Era como olhar fotos de tempos difíceis.
Olhar nos olhos daquelas pessoas e ver o sofrimento transparecendo.
Ver tudo aquilo e querer rasgar tudo, mas não conseguir.
Era como comer algo podre.
Sentir na boca um gosto amargo e azedo.
Digerir tudo e passar mal. Cada vez mais mal.
Era como viver com medo.
Medo dos próprios pensamentos. Medo do amanhã.
Medo dos outros. Medo de si mesmo.
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